Política é coisa chata, né bee?
25/08/08
Estou com 26 anos e creio que há uns seis, sete anos me envolvo, me interesso e gosto de política. Criei essa cultura fora de casa, com amigos, com a realidade, formando assim meu próprio ponto de vista. Portanto, desde meus 19, 20 anos, falar de política tornou-se coisa corriqueira para mim, fora e dentro do meu rol de amizades. As festas de aniversário do PT ou da JPT estavam sempre anotadas em minha agenda; depois viria a minha primeira experiência profissional dentro de um gabinete político. A partir daí já era… Política na veia! Porém, com o tempo veio o amadurecimento de algumas constatações.
No trabalho, na redação de um veículo de comunicação, você começa a descobrir o gosto e a preferência de certa parcela de leitores. No caso, até o momento, atuo em editoria gay. No meu trabalho, sempre tentei impor uma linha editorial mais "séria", ou mais "politizada" – coloco entre aspas, pois não vejo que haja consenso sobre o que é serio e/ou político. Acreditava que assim passaria informações, trocaria experiências no campo da subjetividade e por aí vai. Descubro que não, percebo que as pessoas estão mais preocupadas em ler sobre o que vai acontecer no próximo capítulo da novela, sobre corpos esbeltos e definidos, sobre o ´mundinho´ da noite e por aí vai.
Não se trata de achismo: todos os sites possuem contadores para as matérias e te dou um exemplo, veja só: em julho passado, eu e o meu colega de redação fomos para Brasília cobrir a I Conferência Nacional GLBT. Na abertura tivemos a honra de assistir ao discurso de aberta do evento proferido pelo Presidente da República, um fato histórico, ok. Voltamos para o hotel e postamos a reportagem mais um vídeo com a fala de Lula na íntegra, coisa simples, só dar play e assistir. Para a nossa surpresa, após 24h no ar, fomos ver quantos clique tinha rendido. Pasme, apenas 800 e poucos… enquanto uma outra matéria sobre corpo ou coisa do tipo, já ultrapassava os 5 mil cliques. E isso, meu caro, é coisa rotineira. Matérias mais profundas, políticas, de arte quase não rendem, elas dão qualidade ao site ou revista, mas as mais lidas são sempre aquelas bem fúteis e sem muita exigência no que diz respeito á reflexão e a usar neurônios.
Antes pensava que fosse má vontade dos leitores. E não que tenha deixado de pensar assim, mas hoje constato que outro fator acontece para que vivamos tal realidade, por isso lá em cima comecei falando da minha trajetória política: a pouca leitura de coisas mais sérias, principalmente no meio gay, é por conta de vivermos em um país que, primeiro é televisivo, aqui as pessoas se guiam pelas "verdades" emitidas pela telinha, segundo é que não temos uma cultura política, no caso, de estudar no colégio a contemporaneidade de nossa realidade social. Crescemos aprendendo que isso é chato, que todos os políticos roubam e por aí vai. Esse tipo de pensamento faz com que hoje elejamos figuras como Clodovil, Frank Aguiar e que outras personagens desse tipo se candidatem a cargos eletivos, pois uma é reflexo da outra: o eleitor não leva a sério, e o candidato não se leva a sério e se aproveita desse carnaval.
Enfim, não adianta sairmos a gritar para se votar em gay, ou que negro deva votar em negro e assim sucessivamente. Antes, precisamos é que a maioria das pessoas - principalmente as e os LGBT – aprendam a votar, independente de sua orientação sexual ser homo, hetero ou bissexual, pois de guetos já chega as vidas nas esquinas. Ressalto que o voto em iguais é importante, mas em iguais que tenham conteúdo, que tenham uma trajetória de luta em defesa de nossos direitos, que cheguem lá e atuem de verdade e não piorem a situação, como é caso quando estão ligados a setores conservadores e/ou fundamentalistas. No mais, é preciso entender que a política define os rumos da sociedade e precisa ser levada a sério. Isso poderia começar se nós próprios, LGBTs, nos levássenis a sério… Uma troca real.





