Moção da AGB de apoio a Estudantes da PUC-SP

Leia a moção de apoio da AGB nacional aos estudantes da PUC que estão semdo criminalizados pela ocupação da reitoria.

ASSOCIAÇÃO DOS GEÓGRAFOS BRASILEIROS

DIREÇÃO EXECUTIVA NACIONAL

MOÇÃO DE APOIO AOS ESTUDANTES DA PUC

Profª. Drª. Maura Pardini Bicudo Véras

Magnífica Reitora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

A análise do discurso da DEMOCRACIA remete ao entendimento de seus fundamentos, que estão enraizados na história ateniense. Fundamentos esses que foram o alicerce dos Enciclopedistas responsáveis pela sedimentação da utopia de uma sociedade regida pela igualdade e liberdade.

Sabemos que tais princípios têm sido interpretados e conduzidos pelo poder do Estado, no plano do poder macro ou nas instituições dos micros poderes, conforme o tratamento que lhe impõe o regime político. Se de um lado a igualdade e a liberdade podem significar a garantia do respeito de opiniões, ou seja, do pleno direito dos indivíduos, enquanto sociais, por outro elas tem sido justificativa para a negação desses mesmos direitos. A escolha dessas vertentes tem sido pautada na compreensão de quem tem o controle do poder. Infelizmente a história tem registrado que, quando se tratam de interesses de controle de uma minoria que impõe a sua vontade de poder, os princípios democráticos são tratados ideologicamente como utilização de imposições de idéias.

Por acreditarmos que a academia é a corporificação do saber científico pedagógico, e por entendermos que nós educadores somos responsáveis pela garantia da permanência deste saber, temos a consciência de que quando falamos de jovens, o efeito-objeto da punição na academia perde sua razão de ser, uma vez que o deslocamento do pedagógico pelo ato punitivo, pode gerar a fabricação do indivíduo disciplinar, estratégia que conduz na maioria das vezes à exclusão, à marginalização.

É nesse sentido que expressamos nosso constrangimento todas as vezes que nos deparamos com atitudes que possam vir cercear esses direitos. Entendemos que ao nos responsabilizarmos pelos nossos estudantes, temos obrigação de garantirmos o diálogo e o respeito por suas posições, sabendo conduzir as diferenças no entendimento de que uma sociedade não pode se alicerçar em coerção. Não podemos transformar o campo do saber em um campo de batalha onde a única relação possível é o da transgressão da autoridade. Educar é fazer pensar livre. Construir uma instituição educacional é garantir este direito.

O sistema educacional não pode ser compreendido como o sistema prisional, como afirma Michel Foucault. Neste sentido é que nós, da Direção da Executiva Nacional da Associação dos Geógrafos do Brasil/AGB, temos como responsabilidade garantir a produção dos espaços da esperança.

Certos que o diálogo é a condição da existência da valorização histórica de uma Casa de Formação Científica e Pedagógica, como sempre se esperou dessa Pontifica Universidade, é que, declaramos nossos votos da esperança do imediato estabelecimento do diálogo pedagógico, do direito de defesa dos estudantes, sem a intervenção militarizada e de medidas que possam cercear o direito de livre expressão fundamento democrático.

Lembrando que, paradoxalmente, o ato punitivo, principalmente para punir o direito livre de expressão política, pode levar a transformação de jovens em carrascos das suas próprias vidas, na perda da esperança do Outro e da Sociedade.

23 de agosto de 2008

Profª Drª Alexandrina Luz Conceição

Presidente da Associação Nacional dos Geógrafos Brasileiros

(em nome da Diretoria Executiva Nacional)

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